Scrum Master, tão simples quanto possível

Olá pessoal. No post de hoje vou falar um pouco do papel do Scrum Master, e vou usar como pano de fundo, o caminho que trilhei.

O Post também vem para cumprir uma Meta, e desde já agradeço ao Mestre Manoel Pimentel.

Hoje é muito debatido qual o verdadeiro papel do Scrum Master, se é necessário, se é desnecessário, se ajuda a promover a auto-organização…

Bem, como sempre, vamos por parte.

Scrum Master é um facilitador que remove impedimentos do Time, e que isso não necessariamente quer dizer que ele seja o único a fazer isto. Eu como Scrum Master sempre busquei auxiliar ao Time como descobrir seus reais problemas, e como combate-los como Time.

Em alguns impedimentos, minha atuação direta como Scrum Master ajudava, pois não precisaria dispender alguém do Time, logo não atrapalha o pessoal. Contudo, toda atuação minha para tirar impedimentos era clara. Eu fazia questão de informar ao Time o que eu fiz, como fiz, com o intuito de transmitir conhecimento.

Porém, alguns impedimentos realmente tinham que ser tirados pelo time. Geralmente conhecimentos técnicos, necessidades de infra que exigiam o conhecimento apurado de alguém para explicar. Nestes casos, eu atuava realmente como facilitador, buscando ajudar ao máximo.

Um Scrum Master tem uma meta básica que é zelar pelos Valores do Scrum, logo os Valores do Manifesto Ágil. Isto é realmente muito difícil e requer experiência.

Quando me foi sugerido ser Scrum Master, que no caso fui indicado pelo pessoal do Time, eu já tinha um bom conhecimento de Métodos Ágeis, porém, não poupei esforços para conhecer mais.

E qual foi a primeira coisa que fiz? Não. Não foi buscar a certificação.

Foi buscar um arsenal de Literatura e Mentoring. Na época a empresa era assistida por um Mentoring, o Felipe Rodrigues. Dezenas de livros amontoaram minha mesa e meu computador, dentre eles:

  • Agile Software Development with Scrum – Ken Schwaber
  • Agile Restrospecitves – Diana Larsen
  • Agile Estimating and Planing – Mike Cohn

Porém, fui mais além disto e quis conhecer as raízes então fui ler:

  • Scrum Papers – Jeff Sutherland
  • The New New Product. Development Game – Hirotaka Takeuchi and Ikujiro Nonaka

Me inundei numa leitura de Posts, tanto dos Gurus externos quanto internos e deixo aqui dois grandes posts do Fabio Akita:

http://akitaonrails.com/2009/12/10/off-topic-voce-nao-entende-nada-de-scrum

http://akitaonrails.com/2010/01/30/off-topic-lendo-os-principios-ageis

Sem falar nos Mentorings e troca de experiência com vários grandes profissionais da nossa área. Mergulhei mais ainda também em participação em eventos, reuniões, grupos de usuários e etc.

Em seguida veio a certificação CSM com o grande Alexande Magno. O processo certificatório pode ser falho, mas a oportunidade de troca de experiência com o Magno foi sensacional.

A atuação de um Scrum Master, zelando pelos Valores do Scrum é simples ou complicado mediante a sua verdade. Não se cria um sentimento de união, um senso de comprometimento e auto gerenciamento num Time de uma hora pra outra.

Cada Time tem sua dinâmica, e isto deve ser somado a realidade de cada Empresa. Como Scrum Master aprendi que melhorias no Time são ótimas mas podem não gerar bons frutos se forem feitas isoladas. Melhorias que buscam impulsionar os Valores Ágeis devem ser feitas em escala Empresarial. Eu tive muita dificuldade nesta parte.

O que acontece com algumas pessoas que atuam como Scrum Master, é que elas passam a achar que estão sempre certas e são Juízes, julgadores do bem e do mal. Eu sempre mantive claro para mim, que eu não era assim. Que como todo profissional eu estava passível de erros e acertos. Logo, eu aprendi com meus próprios erros vendo que quando estava pensando em lutar pelos Valores Ágeis, na verdade eu estava criando um cabo de guerra.

Se todo Scrum Master deve prezar pelos Valores Ágeis então ele deve ser o primeiro a realmente se fazer deles. Eu fazia retrospectivas e buscava melhorias. Quando percebi que minha atuação criava cabo guerra, sentei com todos os envolvidos e busquei dissolver isto.

Hoje, percebo que a atuação de um Scrum Master é tão simples quanto possível, utilizando como sua principal arma o Bom Senso.

Porém, o bom senso é algo relativo e deve levar em conta vários aspectos. Neste ponto, uma literatura me auxiliou muito:

Buscando melhorias, não podia me contentar com melhorias locais e passei a buscar melhorias sistêmicas. Minhas Retrospectivas tomaram outro caminho, onde junto do Time, analisavamos nossos problemas, o que os causavam, os pontos de alavancagem para as melhorias e o que isto impactaria a estrutura como um todo.

Mais uma vez, isto foi algo que eu errei e aprendi como Scrum Master. A grande dica que eu dou a quem exerce este papel é:

Jamais se ache MASTER

A simplicidade me guiou nesta caminhada. Como todo desenvolvedor que busca aprender, como todo analista que deseja conhecimento, eu também como Scrum Master segui o caminho de buscar aprendizado, de fazer, de errar, de aprender.

Eu causei muita polêmica como Scrum Master, gerei muitos embates e hoje vejo que não foi um dos melhores caminho que segui. Porém também vejo o quão o pessoal dos Times que atuei se desenvolveram, o quanto eles entregaram, o quanto estavam felizes. Tudo como um processo simples e natural da vida.

Ser Scum Master é tão simples quanto qualquer outro papel. Você deve buscar sempre conhecer tudo que é tido como fundamental e bom para exercer seu papel, você deve atuar, errar e aprender.

Grandes questões como “Scrum Master pode ajudar na auto gestão”, a respostas não está no papel do Scrum Master, e sim na pessoa que atua nele.

Ter Empatia por todos os envolvidos na dinâmica de desenvolvimento da Empresa, buscar melhorias consistentes e sustentáveis, ser verdadeiro, ter conhecimento podem fazer com que boas coisas aconteçam, independente do papel que a pessoa exerça.

Hoje, posso dizer que por espaços de tempo, eu vi times realmentes auto gerenciados, pude ver Retrospectivas com toda a Estrutura da Empresa envolvida no Produto, pude ver o crescimento de várias pessoas.

Não posso jamais dizer que eu criei Times Auto Gerenciaveis, que tinham total noção do ROI e blá blá blá. Mas posso dizer com certeza que por bons momentos, pude ver coisas feitas da forma certa. Pude ver P.Os discutindo com o Time o real alor das coisas, pude ver Times conseguirem atingir Metas incríveis, pude ver produtos Entregues, pude ver elogios da Gerencia e outras coisas boas.

Para mim, as coisas hoje são tão simples quanto possível. Eu vejo desejos de várias partes, vejo necessidades e oportunidades e busco fazer parte de toda esta dinâmica.

Ambientes que buscam melhorias e se valem dos Valores Ágeis, proporcionam a um Scrum Master ou um Agile Coach auxiliar o pessoal a chegar a grandes feitos. É isso que faço hoje.

Já conheci Scrum Masters que colocavam o nome do papel na assinatura de e-mail, já conheci outros que estimavam pelo Time, conheci outros que não sabiam o que era uma Iteração e outros ainda que não sabiam quem era Ken Schwaber. Por isso que digo que o X da questão não está no papel, está na pessoa.

E você caro amigo, como foram suas experiências como Scrum Master? Ou como o Scrum Master com que você atua é?

[]s.

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Práticas Lúdicas. O que são e como podem lhe ajudar

Olá caros amigos.

Hoje vamos falar sobre Práticas Lúdicas e seguindo a linha de sempre, vamos comer o boi a bife.

Lúdico:

adj. Relativo a jogo, a brinquedo; que apenas diverte ou distrai: atividade lúdica.

Ludico é uma forma de desenvolvimento da criatividade, conhecimentos e raciocínio através de jogos, atividades artísticas e etc. O intuito é ensinar, através da diversão e buscando a interagração entre as pessoas.

Prática/Atividade Lúdica:

Atividade lúdica é todo e qualquer movimento que tem como objetivo produzir prazer quando de sua execução, ou seja, divertir o praticante.

Sumariamente teríamos as seguintes características sobre elas:

  • são brinquedos ou brincadeiras menos consistentes e mais livres de regras ou normas;
  • são atividades que não visam a competição como objetivo principal, e mas a realização de uma tarefa de forma prazerosa;
  • existe sempre a presença de motivação para atingir os objetivos.

By Wikipedia

Como visto, práticas lúdicas são formas bem interessantes de aprendizado. E o que é realizar um projeto ou produto senão uma razão de um aprendizado sobre algum tema, num espaço de tempo.

Veja que, as práticas lúdicas tem um aporte de diversão, brincadeiras e busca inspirar, motivar e ajudar a atingir metas. Percebe o quanto uma Prática Lúdica está alinhado com o Core do Ágil?

Dito isto, como será que as Práticas Lúdicas podem lhe ajudar?

Bem, como disso no parágrafo anterior, a prática lúdica tem por o objetivo o ensinamento de modo divertido. Em projeto o Time aprende o negócio/domínio sobre um tema, e eles traduzem isto em um produto.

Este aprendizado pode ser feito de forma lúdica no período do desenvolvimento do produto. Metódos ágeis (alguns deles) denotam a fase do Pré Game. Fase onde existe um aprofundamento no negócio e na tecnologia com a intenção de clarear um pouco o caminho.

Nesta fase o aprendizado é fundamental. Tratar esta fase de uma forma mais dinâmica, participativa e descontraída pode auxiliar a absorvição do Time sobre o conteúdo a ser ensinado. Eis aí um bom ponto onde você pode usar uma prática lúdica.

Ano passado eu criei e neste ano apliquei e desenvolvi um Jogo chamado Domain Game: https://agilementoring.wordpress.com/2011/07/05/domain-game-uma-dinamica-para-todos/

O jogo é uma prática lúdica que visa disseminar o conhecimento sobre um domínio a todo o Time, que envolve também a participação dos Clientes e Experts, estimulando a interação entre eles, a colaboração e motivando-os.

E o uso das práticas lúdicas não param por aí.

Seja em Workshops ou Treinamentos, a utilização de tais práticas ajudam muito a manter um ritmo gostoso no ensino, de forma leve e descontraída.

Como isto está bem ainhando ao Core Ágil, não demorou muito para vários gurus da área criarem um grupo para trocarem ideias e experiências. Nasce assim o Google Group Agile Games:

http://www.hanoulle.be/2010/06/agile-games-google-group/

http://groups.google.com/group/agilegames?pli=1

Eu acompanho o grupo e já tive várias oportunidades de usar jogos descritos lá. O pessoal realmente se supera 🙂

Descorrendo mais sobre práticas lúdicas no dia-a-dia de um Time ágil, não é apenas no Pré Game que é possível utiliza-las.

Ao decorrer da Sprint, você pode utilizar de práticas lúdicas para auxiliar o Time no entendimento de uma User Story, auxiliar a criar cenários de testes (adoro fazer analogias a RPG para isso).

E existe mais um ponto num ambiente ágil onde é muito viável utilizar práticas lúdicas e particularmente, acredito que seja fundamental utiliza-las. Retrospectivas.

Como sabem, a Retrospectiva é o momento onde um Time busca olhar e entender para tudo o que se passou em uma iteração. Neste momento o Time buscará colocar em prática o must da Inspeção e Adaptação.

Instigar aos membros do Time para fazer isto não é fácil. É muito comum com o passar do tempo um Time perder o interesse numa Retrospectiva, achando que ela se tornou monótona. É fundamental para um Scrum Master, um líder ou mesmo para o Time em si saber maneiras de manter o ânimo numa Retrospectiva, com eficiência e eficácia para manter o ciclo da melhoria contínua.

Eu gostava de usar algumas práticas como:

Conclusão de frases:

Eu criava algumas frases e deixava lacunas para os membros do Time completarem. Geralmente as frases eram brincadeiras que buscavam o sentimento/opinião dos membros do Time sobre o ambiente do produto, exemplos:

  • Se o meu projeto fosse um animal, ele seria um(a) _________________________________________________
  • Se eu fosse o Super Man, a Criptonita desta Sprint foi a/o ____________________________________________
  • Se eu fosse a Mulher Maravilha, utilizaria o meu laço mágico para agarrar a/0 ______________________________
  • Rosas são vermelhas, violetas são azul (são??) neste Srint eu queria _____________________________________
  • Se eu fosse o Thor, utilizaria o meu Martelo para acabar com a _________________________________________

Quando o Time é mais novo, gosto de fazer práticas para lhes ensinar sobre auto-gerenciamento, colaboração e ROI.

Dinâmicas como formar uma fila com base em alguma premissa, construir alguma coisa juntos e separados, com material dividido entre eles, brincar de Passa ou Repassa, sobre o que estão fazendo, se está agregando valor.

Dentre cursos, treinamentos, workshops que participei, legal levantar algumas pessoas que utilizam muito bem isto:

  • Alexandre Magno: durante seus CSM e CSPO e workshops, ele utiliza várias dinâmicas para explicar o Core do Ágil e Scrum
  • André Nascimento: Durante seus workshops de Scrum ele utiliza várias dinâmicas, inclusive a Famosa Dinâmica do Avião de Papel
  • Manoel Pimentel: Durante o Agile Coach Professional, ele se supera utilizando 1001 práticas
  • Hugo Corbucci e Mariana Bravo: Lean Lego Game, uma fantástica brincadeira para ensinar os conceitos do Lean
  • Matheus Hadda: Utiliza várias práticas para ensinar Scrum, como a Horta e também para ensinar sobre o Canvas Business Model.

Eu também utilizo do Lúdico para realizar Análise de Negócios, seja através de perguntas ou pequenas dinâmicas que faço com o pessoal entrevistado.

E é isso pessoal.

E você conhece mais algumas práticas lúdicas? Já utilizou alguma? Como foi?

[]s e até a próxima.