Mudanças e Mudanças…

Baseado no que tem acontecido comigo nos últimos meses, cheguei a conclusão que existem dois tipos de mudança que dependem de nós mesmos para acontecerem.

A primeira é a mudança de pensamento seguido pela mudança de ações. Todos temos nossas convicções, pensamentos e idéias que guiam muitas das nossas ações. Se alguma dessas convicções é alterada por algum motivo, começamos a mudar nossas ações para se enquadrar às nossas novas idéias e maneira de pensar.

A segunda é a mudança de ações seguida pela mudança de pensamento. Nesses casos tomamos decisões que vão contra nossas convicções. Na maioria das vezes ficamos com “frio na barriga” quando tomamos essas ações, porque estamos confrontando nossa zona de conforto, mas com o tempo, se forem ações acertadas, nossas idéias se encaixam nas nossas novas ações, e essa sensação desaparece.

De certa maneira, os dois tipos nos tiram do status quo e nos levam para novos lugares. A diferença é que a primeira costuma ser mais confortável, lenta e difícil de acontecer. A segunda nos deixa mais tensos com a mudança, as ações normalmente são imediatas e podem acontecer frequentemente, só depende da nossa vontade.

No que eu percebi até agora, a maioria das grandes mudanças estão no segundo tipo.

E você, concorda com isso?

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A Importância do Primeiro Seguidor e nosso papel nas novas idéias

Várias vezes durante nosso caminho profissional ou pessoal nos deparamos com a situação de novas idéias.

Basicamente podemos ter dois papéis nesse momento, ou estamos sugerindo uma nova idéia a ser implantada ou estamos ouvindo a idéia de alguém.

Vejam o vídeo a seguir: The Dancing Guy

Quando sugerimos novas idéias, seja a implantação de uma melhoria no processo, um processo novo, TDD ou apenas a troca do horário de uma daily meeting, pode ser também uma dança estranha, devemos expor nossa idéia, o que nos motivou a sugerir essa idéia e tentar convencer as outras pessoas do seu time de que aquela idéia pode ajudar de alguma maneira.

Nesse processo todo de exposição e convencimento, devemos prestar atenção em um personagem muito importante que muitas vezes ignoramos, o primeiro seguidor.

Essa pessoa é a primeira que compra a idéia, quando expomos uma idéia nova, não precisamos convencer todos de uma vez, isso é muito difícil, precisamos apenas convencer um, o nosso primeiro seguidor, que esse irá nos ajudar a espalhar a idéia entre as outras pessoas.

Para implantar uma nova idéia, primeiro precisamos ter coragem de levantar e ser ridículo. Expor novas idéias, na maioria das vezes, quebra antigos paradigmas e tira as pessoas um pouco do seu status quo, nem todo mundo gosta disso, mas se bem explicada, a nova idéia tendo fundamento, é tão simples e clara de se seguir que acaba atraindo o primeiro seguidor dela, e essa pessoa acaba mostrando para os outros como seguir a nova idéia, mostrando que é simples de fazer e que vale a pena.

Quando você expõe uma idéia nova, tem que entender que a idéia não é mais só sua, você acabou de compartilhar ela com todos os que acreditaram nela, inclusive o primeiro seguidor, e cabe a você como “líder” dessa nova idéia aceitar isso, deixar a vaidade de lado e abraçar a idéia de que isso se tornou um movimento de várias pessoas.

Esse primeiro seguidor é o que começa a transformar um maluco solitário em líder de um movimento de mudança. Não se trata apenas do maluco mais, e sim de várias pessoas que acreditam na mesma coisa. O primeiro seguidor ajuda a atrair outras pessoas para a nova idéia. Se vocês perceberem, o primeiro seguidor também é um tipo de liderança, é preciso ter coragem para se levantar e seguir um maluco solitário.

Após algum tempo, não se trata apenas de um maluco solitário, nem de dois malucos, e sim de várias pessoas, e com várias pessoas temos um movimento em torno da nova idéia. Novas idéias precisam ser públicas, as pessoas precisam saber delas. É importante mostrar não apenas o líder, que originou a nova idéia, mas seu seguidores, pois os seguidores novos imitam os seguidores antigos da idéia e não necessariamente o líder original. Isso mostra uma evolução da idéia definida pelo grupo que a apoiou.

Quanto mais gente segue uma nova idéia, o risco dela diminui, afinal um monte de gente já está fazendo isso, portanto, mais pessoas querem seguir a nova idéia. Pessoas que estavam em dúvida em relação a nova idéia acabam seguindo com a multidão. Eles não querem ficar de fora da novidade. A curva de adoção de novas tecnologias tem o mesmo princípio (Tecnology Adoption Lifecycle). Depois dos primeiros seguidores, os próximos não se sentirão ridículos, estarão seguros.

Se você for o cara que teve a nova idéia, lembre-se de cultivar os primeiros seguidores da sua idéia, foque em acha-los e trate-os como iguais. É a idéia que interessa, não você.

Mas uma das maiores lições desse vídeo, se vocês perceberem, é que a liderança é muitas vezes superestimada. O cara dançando sem camisa foi o primeiro, e ele receberá todo o crédito por isso, mas foi o primeiro seguidor que transformou o maluco solitário em líder, ele que ajudou a convencer outras pessoas de que a idéia era viável de ser feita.

No mundo atual existe uma idéia de que todos devemos ser líderes, isso é muito valorizado nas empresas, até demais na minha opinião. Se todos fossemos líderes com novas idéias para serem implementadas, não daria muito certo, cada um olharia somente para sua própria idéia. Se duas pessoas tiverem a mesma idéia, ainda haverá uma “briga” sobre quem teve a idéia primeiro.

Acredito que temos que ter o discernimento para reconhecer boas idéias vindo de outros, independente do cargo ou tempo de experiência, e termos coragem de levantar e seguir um “maluco solitário” em sua idéia. Começar um movimento, uma mudança. Quando vocês encontrarem algum maluco fazendo algo grandioso, tenham essa coragem de se levantar e se juntar ao movimento.

Com isso entramos no segundo papel que falei, onde estamos ouvindo a idéia de alguém.

Quando estamos nesse segundo papel, temos que ter avaliar se o que o “maluco solitário” está fazendo é grandioso ou simplesmente idiota. Para isso agimos como críticos da nova idéia, assim como críticos de cinema analisando um filme ou críticos de gastronomia. Mas precisamos ter cuidado quando estamos nesse papel.

Alguém com coragem está nos expondo seu trabalho, sua idéia, correndo o risco de se passar por ridículo. No vídeo a seguir (Egon – Ratatouille), retirado do filme Ratatouille, temos uma ótima visão do que é ser crítico. Nos falando que mesmo a pior das idéias tem mais significado do que o nosso julgamento como críticos. Vejam o vídeo com atenção, e para quem já passou pela situação de criticar alguma nova idéia que um colega expos, pensem como vocês agiram na situação.

No mundo real, podemos estar dos dois lados dessa moeda em diferentes situações. Podemos ser o maluco solitário procurando nossos primeiros seguidores ou podemos ser a pessoa que observa o maluco solitário expondo sua idéia para nós. Em ambos os casos é necessário coragem, ou para submeter nosso trabalho a avaliação de outros ou para julgarmos se um trabalho vale a pena. Apesar do segundo ter menos risco, somente nele temos a oportunidade de apostar em algo novo e mostrar nossa coragem sendo um dos primeiro seguidores da nova idéia, mostrando para outras pessoas como agir.

Pensem nisso da próxima vez que você tiver uma idéia ou ouvir uma de alguém.

A idéia do primeiro seguidor foi retirada da seguinte talk Derek Sivers: How to Start a Movement.

Adapte o processo como um grande chef de cozinha!… WTF!?!?!?

Olá,

Sim, você não leu errado no título do post, é chef de cozinha mesmo, mas eu explico.

Para quem me conhece pessoalmente vai pensar “Mas é claro que ele tinha que falar de comida, mas o que isso tem a ver com métodos ágeis?”

Bom, eu gosto de cozinhar, ou ao menos tentar, nunca matei ninguém até hoje ou mandei para o hospital. Mas para todos aqueles que gostam de cozinhar, acredito que o começo de “carreira” de chef amador é basicamente o mesmo. Pegamos uma receita que gostamos, que seja fácil de fazer, compramos os ingredientes, expulsamos todo mundo da cozinha e mãos à obra. Com um pouco de sorte insistência conseguimos sair com algo razoavelmente decente da cozinha.

Na parte do “mãos à obra” seguimos a receita em todos os seus pontos e vírgulas, se tivermos um termometro digital a gente usaria para verificar se a temperatura do formo está exatamente igual a mencionada, precisão britânica nas gramas de farinha, no tamanho da colher de chá de fermento, enfim, queremos fazer tudo perfeito para que a receita saia um sucesso.

Depois de um tempo fazendo receitas, começamos a ter a necessidade de adaptar elas, deixar elas com a nossa cara, usar ingredientes que gostamos mais do que outros. E é aí que entra o grande truque, o mesmo truque que devemos usar quando adaptamos um processo de desenvolvimento de sistemas para a nossa equipe/projeto/empresa. Modifique, adapte, mas sempre tenha claro quais são essas modificações e seus porquês, e nunca perca de vista o objetivo final.

Quando estou fazendo uma receita de bolo de cenoura, posso modifica-la para usar farinha de trigo integral no lugar da branca, ou fazer a cobertura com chocolate amargo no lugar de achocolatado, mas o resultado final ainda tem que ser um bolo de cenoura, não posso modificar a receita e esperar que saia um frango assado no final.

Grandes chefs de cozinha conseguem adaptar receitas para os ingredientes que eles tem a disposição, sem perder as características principais do prato. Quando modificamos o Scrum, por exemplo, não podemos nos esquecer dos objetivos dele, e quando o modificamos, temos que saber o porque dessas modificações, precisamos lembrar que, assim como em uma receita, essas modificações podem nos obrigar a alterar outras coisas que não foram previstas.

Mas mantendo nosso foco no objetivo final, com a experiência adquirida, vai ficando mais fácil ver onde e como devemos modificar as coisas. Começamos a fazer essas modificações de maneira mais instintiva, assim como os chefs modificam suas receitas. Aprenda novas técnicas e misture-as com as que você já conhece, sem se preocupar com os nomes, um ótimo exemplo disso é o post do Rafael sobre FDD, User Stories e Boards na Engenharia de Requisitos, e use-as com sabedoria nas suas adaptações.

Mas lembrem-se, no final, uma receita de bolo de cenoura não pode terminar como um frango assado…

Gordon Ramsay

Aprendendo a andar de bicicleta

Versão resumida do post: Scrum Master’s, deixem as equipes se ralarem um pouco, só cuide para que eles não se matem.

Se você leu e não entendeu, leia o resto do post 😛

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Quando somos crianças, ou já adultos, quando vamos aprender a andar de bicicleta, sempre caímos.

Nunca, ninguém aprendeu a andar de bicicleta sem ter ralado um joelho antes, mas mesmo depois que se aprende, continuamos a ralar os joelhos e cotovelos e esse processo é essencial para o nosso aprendizado. Fazemos isso porque estamos testando nossos limites, quando nunca andamos antes, nosso limite é conseguir andar e fazer algumas curvas.

Após esse passo básico, nossos limites vão aumentando, mas continuamos a testá-los e a cada teste continuamos ralando os joelhos e cotovelos, as vezes algo mais. Quando estamos aprendendo a andar, temos sempre alguém nos ajudando a descobrir os limites à serem testados, e ajudando a evitar que a gente se mate nos primeiros 5 minutos em cima da bicicleta.

Em outros momentos da nossa vida passamos pelo mesmo tipo de situação, aprendendo a fazer alguma coisa, testando os nossos limites e com alguém nos ajudando a não nos matarmos. No Scrum eu vejo uma situação dessas principalmente na hora da Sprint Planning.

Na Sprint Planning a equipe deve estimar as estórias e definir com o que eles vão se comprometer na sprint. O SM (Scrum Master) está lá para ajudar a equipe a manter o foco, ver se a equipe está seguindo os “rituais” necessários e, entre outras coisas, a ajudar a equipe não se “matar” com a quantidade de estórias que eles vão colocar na sprint.

Nesse ponto o SM tem que tomar muito cuidado para que ele não “trave”, impedindo que eles testem seus limites e aprendam, uma das maneiras de “travar” a equipe é exigindo que eles sempre entreguem tudo com o que eles se comprometerem, sem dar uma margem para que a equipe erre. Ele tem que saber deixar a equipe testar os seus limites, isso, com certeza, vai gerar alguns ralados, mas assim como quando aprendemos a andar de bicicleta, esses ralados fazem parte do aprendizado, eles nos dizem que naquele momento ultrapassamos nossos limites e que precisamos melhorar em algo antes de descobrirmos novos limites. Mas mesmo assim o SM também tem que tomar cuidado com o outro lado, evitar que a equipe se comprometa com uma quantidade irreal de estórias e se “mate” na sprint.

O conceito essencial para que as coisas funcionem na Sprint Planning é o mesmo conceito fundamental para se andar de bicicleta, equilíbrio. Não é algo fácil, não existe fórmula mágica para calcular isso, esse equilibrio vem da convivência e da conversa entre a equipe e o SM, lembrem-se, assim como quando aprendemos a andar de bicicleta existe alguém nos ajudando a não nos matarmos, essa mesma pessoa nos ajuda a levantar quando caímos, ajuda a curar os nossos ralados, evitando infecções e outras coisas.

Assim tem que ser o SM na Sprint Planning, ajudando a equipe a testar seus limites, ajudando ela a se levantar após um tombo, ajudando a tratar os ralados, mas sem proibir a equipe de andar de bicicleta alegando que é muito perigoso.

Portanto: Scrum Master’s, deixem as equipes se ralarem um pouco, só cuide para que eles não se matem.